Um estilo de vida simples

11/07/2018 22:49

Um querido amigo me lembrou de uma palestra que fiz há muito tempo, intitulada “um  estilo de vida simples”. Não me lembro mais do que falei, mas os conceitos são os mesmos, então resolvi abordar novamente esse tópico.

Esse é um tema muito desafiador para mim, especialmente porque  aprecio muitas coisas que não são consideradas simples, como viajar, comer bem, conforto, arte... será que para ter um estilo de vida simples precisamos abrir mão do que gostamos e podemos ter ou fazer?  A primeira coisa que precisamos saber ao refletir sobre esse assunto é o que não é um estilo de vida simples. Por exemplo,  pobreza não é simplicidade porque um estilo de vida é uma opção  e a pobreza não é uma alternativa e sim uma condição circunstancial, ninguém  opta por passar necessidades ou viver na penúria, a não ser que seja parte de um projeto ou ideologia.   Também não é uma vida sem graça, sem cor, sem arte, sem cultura,  muito menos é uma vida feia, desprovida de qualquer prazer ou encanto. Então o que seria um estilo de vida simples?

Um estilo de vida simples nos desafia a um modo de vida minimalista.  Seria isso viver com o mínimo necessário? O minimalismo tem a ver com um repensar de valores. É necessário nos perguntarmos: eu preciso disso?  Tem a ver com a  priorização do necessário e não da abundancia. Visa a qualidade e o bem estar e não o status  ou padrão sócio cultural.  Eu preciso de um sapato ou eu preciso um sapato de marca? Quantos faqueiros eu preciso ter? Quantos relógios eu preciso ter? eu preciso gastar o que não posso num restaurante badalado?   O minimalismo elimina o excesso. Não tem a ver apenas com coisas, mas também com atividades e relacionamentos. Será que precisamos realizar todas as atividades as quais nos obrigamos?   será que precisamos de uma rede enorme de amigos para nos sentirmos importantes ou queridos ? será que precisamos  conhecer todos os lugares onde vamos? enfim, um estilo minimalista facilita, otimiza, reduz e foca o essencial. 

Um estilo de vida simples nos convida ao desapego.  O que seria isso?  Desapegar é bem mais do que doar coisas que estão sobrando nas nossas casas. É não colocar a razão de nossa felicidade, bem estar e bom humor em gêneros seja lá quais forem. Desapegar tem a ver com o valor que emprestamos às coisas.  Se a necessidade de uma pessoa é menos importante do que um armário lotado, certamente está na hora de pensar em desapegar.  Se existe uma necessidade de acumular coisas desnecessárias, certamente está na hora de pensar em desapegar. 

Um estilo de vida simples nos conduz a um espírito grato. Gosto de fazer um exercício:  eu penso em algumas situações que poderia estar passando e o que eu valorizaria.  Por exemplo, se eu estivesse presa, confinada numa cela, certamente seria muito grata pela liberdade de ir e vir. Se estivesse doente, dependendo de outros, certamente valorizaria muito a saúde; se estivesse num local deserto sem o que comer ou beber, qualquer pão com café me pareceria uma iguaria; se estivesse exilada, longe das pessoas que amo, a simples oportunidade de falar com elas, de abraça-las seria um evento maravilhoso. Simplicidade tem a ver com gratidão, e observamos as coisas simples da vida, o por do sol, uma caminhada, o barulho da chuva, um copo de água gelado,  um abraço,   uma roda de amigos, começamos a ser mais gratos.

Um estilo de vida simples é um estilo de vida menos ansioso, menos preocupado, mais descomplicado. Há um ditado que diz: tem solução, não se preocupe, não tem solução, não se preocupe.  Na oração do Pai Nosso há uma parte que diz, “o pão nosso de cada dia nos dai hoje”, mostrando que a preocupação excessiva com o futuro com o que teremos ou não teremos gera ansiedade e revela a necessidade de controle que potencializa as preocupações.  Uma vida simples usufrui o presente, foca no aqui e agora otimizando recursos e dádivas diárias.