DESCULPAS

10/05/2018 21:33

Quem já não deu ou ouviu desculpas? não posso ir a aula porque estou com dor de barriga; cheguei tarde porque o pneu furou; faltei ao trabalho para ir num enterro... desculpas são incorporadas ao dia a dia para evitar conflitos, desgastes ou se posicionar em certas situações.  Tanto as ingênuas como as mais bem elaboradas todas elas escondem algo como: questões mal resolvidas, medo de enfrentar situações, culpa, etc. As desculpas podem se tornar uma prática viciante sem que a pessoa se perceba disso.

Vejamos o que está por trás das desculpas mais comuns. 

A clássica “dor de cabeça” para evitar o sexo.  Tal desculpa se transformou num código para dizer ao outro que não quer transar, ou seja: “hoje não”. O que essa desculpa encoberta pode ser um problema de origem física ou hormonal; dificuldade em ser clara, dizer o que gosta ou não gosta sem magoar o outro; pode também ser o reflexo de um relacionamento deteriorado que está comprometendo seriamente a libido; ou ainda, a crença de que sexo é uma obrigação e que só deve ser evitado com uma boa justificativa. Seja lá qual for a motivação, a dor de cabeça não é solução pois pode esconder uma dor mais profunda ou uma questão relacional que pode e precisa ser tratada.

Outra desculpa famosa é “não tenho tempo”.  Não tenho tempo para visitar ou ligar para alguém; não tenho tempo para cuidar de mim; para brincar com meus filhos; para me envolver com um projeto; para a família; para estudar; para relaxar... Atrás dessa desculpa, pode estar a falta de planejamento, inversão de prioridades,  preguiça, acomodação, medo de se comprometer, fuga em atividades que são pura perda de tempo.  O tempo é algo extraordinário, quanto mais o usamos maior ele se torna. Se falta tempo em nossa vida para o que é importante pode ser porque não o estamos aplicando bem.

Existe outra desculpa muito sutil: “Não depende de mim” ou “está pra além das minhas possibilidades”. Alguns exemplos básicos: Eu gostaria, mas não posso lhe dar carona porque....; eu gostaria, mas não posso lhe emprestar dinheiro porque...; eu gostaria, mas não deu para ir ao seu evento por que... eu adoraria, mas não posso ajudar nesse projeto porque... Essa desculpa implica na construção de uma história quase sempre mentirosa. É uma das mais perigosas e viciantes, pois carrega em si uma cumplicidade da parte de quem fala e da parte de quem ouve. As pessoas em geral não lidam bem com a assertividade. Elas preferem dizer “não posso” do que “não quero”, ou mesmo, “desculpe não posso lhe ajudar, ou não posso ir”. É mais fácil inventar uma história mirabolante do que dizer “não vou lhe emprestar o dinheiro pois não posso me arriscar, nem a nossa amizade”; ou “não vou lhe dar carona hoje porque quero ter liberdade para sair com outras pessoas” ou “não fui a festa do seu filho porque não gosto de festas infantis, mas obrigada pelo convite, aqui está um presente com muito carinho para ele”; ou “não vou me envolver nesse projeto porque não tem nada a ver comigo”. Vamos falar sério, as pessoas preferem ouvir uma mentira do que determinadas verdades. 

Existe um leque de desculpas que se tornaram culturais como: já não tenho mais idade para tentar algo novo, que evidencia desanimo, ausência de energia e de perspectiva.  Desculpas carregadas de pessimismo como: não adianta estudar, não vou passar mesmo; não adianta fazer exercício, não vou emagrecer; não adianta confiar, vou ser enganada, não adianta me esforçar, ninguém reconhece o que faço. Já há aquelas que se escoram num padrão predeterminado: todo mundo faz, todo mundo fala, todo mundo tem.

As desculpas proporcionam um alívio imediato e uma sensação de controle enganosa, todavia só servem para postergar uma situação, uma decisão, se auto sabotar ou alimentar comportamentos inadequados ou patológicos. Segundo Elbert Hubbard: “tem sido um mistério para mim o motivo por que pessoas passam tanto tempo enganando-se propositadamente, com criação de desculpas para esconder suas fraquezas. Se usado de forma diferente, esse mesmo tempo seria suficiente para curar a fraqueza e as desculpas não seriam mais necessárias.”